revista fevereiro - "política, teoria, cultura"

   POLÍTICATEORIACULTURA                                                                                                    ISSN 2236-2037

 

Mariana Zanata THIBES

Vigilncia em tempos de Internet: o temor da perda da privacidade e a exposio de si nos meios virtuais

 

As revelaes feitas pelo ex-funcionrio da CIA e da NSA, Edward Snowden, tiveram grande impacto mundial e chamaram a ateno sobre a extenso das aes de vigilncia praticadas pelas agncias de segurana norte-americanas, tendo por base os desenvolvimentos recentes das novas tecnologias da informao. A histria da vigilncia, entretanto, muito mais antiga do que isso. H um sculo atrs, logo aps a I Guerra Mundial, alguns pases comearam a investir em aes desse tipo, at ento consideradas proibitivas por conta do alto custo e de tecnologias insuficientes, para auxili-los em determinadas atividades intra e extra-estatais.
Nos Estados Unidos, a disseminao do uso do telefone, ocorrida ao longo dos anos 1920, tornou disponvel uma nova massa de informaes que despertou o interesse do poder. Tecnicamente, era bastante simples grampear uma linha e instalar uma escuta, e esse procedimento passou a ser largamente utilizado pela polcia aps sua legalizao, em 1928, principalmente para o desmantelamento de gangues e caa de criminosos. O primeiro programa de vigilncia em massa, entretanto, surgiria nesse pas apenas aps a II Guerra Mundial. Denominado de Operation Shamrock, o programa foi criado para caar espies soviticos e assumido pela NSA quando esta surgiu, em 1952. Todos os dias, geralmente em torno de meia-noite, o trfego telegrfico do pas era coletado por escritrios em Nova York, na forma de cartes perfurados, e levados para a NSA. Esta os copiava e devolvia para as companhias de telgrafo. O programa foi encerrado, em meio a protestos, ao ser descoberto em 19701 .
As informaes sistematicamente obtidas por meio dos grampos telefnicos tambm viabilizaram uma nova forma de jogo poltico: o escndalo. O material coletado pelo FBI permitia monitorar conversas de inimigos politicos do presidente e, particulamente, lderes de movimentos civis. Ao longo desse tempo, foi possvel criar um extenso arquivo sobre as preferncias sexuais dos poderosos da Amrica e utiliz-las para direcionar a poltica norte-americana.
Em 1956, o FBI criou o programa “COINTELPRO”, (sigla para Counter Intelligence Program), que vigorou at 1971. Inicialmente criado para caar comunistas, em 1960, ele teve o alvo ampliado para a perseguio de negros, principalmente do Movimento Panteras Negras, e lideranas de movimentos por direitos civis, tais como Martin Luther King Jr. Em 1963, o diretor assistente do FBI, William Sullivan, recomendou “encontrar meios de neutralizar King como um lder negro efetivo”, por conta da preocupao de que este se tornasse um “messias”.2
Fora dos Estados Unidos, os exemplos de aes de vigilncia tambm sobejavam. A alem Ulrike Poppe, por exemplo, foi uma das mulheres mais vigiadas da Alemanha Oriental. Durante 15 anos, agentes da Stasi seguiram-na, grampearam seus telefones, invadiram sua casa e a assediaram sistematicamente, at a queda do muro de Berlim, em 1989.3 Desde sua adolescncia, ela foi perseguida, junto com outros dissidentes do pas, por sua oposio ao regime. Sua histria faz lembrar o relato de Laura Poitras, a documentarista que recebeu as informaes de Edward Snowden, vtima de inmeras detenes em aeroportos, interrogatrios, inspees, confisco de equipamentos e mais um sem nmero de aes de vigilncia eletrnica, desde que, em 2004, resolveu filmar os efeitos da guerra sobre os cidados iraquianos.
As semelhanas entre passado e presente ainda vo alm. H uma dcada atrs, a professora da Universidade de Albany, Virginia Eubanks, sentou-se com uma jovem me norte-americana para conversar sobre suas experincias com tecnologia e perguntou-lhe sobre o uso do carto EBT (Electronic Benefit Transfer card). A mulher disse que o carto era timo, exceto pelo fato de ser utilizado como uma ferramenta de rastreamento, que armazena principalmente registros de compras. Mulheres pobres que recebem benefcios sociais so h muito tempo alvo de testes para ferramentas de vigilncia, assim como as classes pobres e trabalhadoras dos Estados Unidos. Assim, o que parece hoje escandaloso s classes mdias, prtica rotineira aplicada s classes baixas j h bastante tempo.4
A vigilncia em tempos de Internet
No podemos, entretanto, deixa de notar os avanos que a tecnologia permitiu implementar s aes de vigilncia. Hoje, h ferramentas muito mais sofisticadas, de alcance indito, e uma nova massa de dados nos domnios virtuais, impensvel nos tempos do telefone, passou a ser o alvo privilegiado dos governos sedentos por informao. Quando Wolfgang Schmidt, ex-tenente-coronel da polcia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi, soube das revelaes de Edward Snowden referentes a capacidade da NSA para recolher dados pessoais sobre milhes de cidados norte-americanos, ele se espantou. Seu departamento limitava-se a grampear apenas 40 telefones por dia. Se houvesse a deciso de grampear um novo telefone, um dos outros tinha que ser desligado. Schmidt disse: "Para ns, isso teria sido um sonho tornado realidade... Tanta informao sobre tantas pessoas!"5
John Edgar Hoover, o primeiro diretor do FBI, s conseguia escarafunchar os recnditos de uma cidade: Washington, D.C. Para obter informao ntima e detalhada sobre todo um pas, a Stasi tinha que empregar um agente para cada seis cidados da Alemanha Oriental. Hoje, a tecnologia aliada massa de dados que a Internet torna disponvel permite aos 37.000 empregados da NSA uma cobertura semelhante de todo o globo 6 .
Como disse Julian Assange, ciberativista do Wikileaks:
“A vigilncia muito mais evidente agora do que na poca em que a vigilncia massiva era realizada apenas pelos Americanos, os Britnicos, os Russos e mais alguns outros governos como Sua e Frana. Agora a vigilncia feita por todos, por quase todos os Estados, devido comercializao da vigilncia de massa. E ela tornou-se totalizante, na medida em que as pessoas colocam todas as suas ideias polticas, comunicaes com a famlia e amigos na Internet. Isto significa no apenas um aumento da vigilncia sobre esse tipo de comunicaes, mas tambm que o volume de comunicaes aumentou significativamente. E no se trata apenas de um aumento no volume de comunicaes, mas nos tipos de comunicao. Todos esse novos tipos de comunicao que antes eram privados, agora esto sendo massivamente interceptados”7 .
A vigilncia dos tempos de Internet massiva e ubqua; o volume de dados sua disposio tambm nunca foi to grande8 . Entretanto, apesar de todos esses elementos, no possvel afirmar que se trate de um fenmeno novo. Como mostram os exemplos mobilizados no comeo do texto, os principais alvos e motivaes desse tipo de ao permanecem bastante semelhantes.
H, porm, outra novidade que no h como deixar de ser inquietante. Se a vigilncia antes tinha como alvos privilegiados lideranas de movimentos sociais e inimigos polticos (e isso tudo permanece no presente), hoje, ela incide sobre qualquer um, e com os mais diversos propsitos. Chama a ateno, principalmente, a coleta de informaes pessoais para servir de combustvel publicidade, ao que movimenta as grandes empresas de tecnologia, como Google e Facebook, para citar apenas as maiores.
Com todo esse assdio sobre a informao pessoal e os recorrentes escndalos sobre as aes de vigilncia de governos, de se espantar, sobretudo, que as pessoas no apenas continuem a se expor nos ambientes virtuais, mas que jamais tenham se exposto tanto. Nesse sentido, a maior novidade da vigilncia dos tempos de Internet que j no preciso tanto esforo para coletar as informaes pessoais. Se a tecnologia permitiu que a captura de dados se tornasse mais eficiente, ela tambm permitiu que as informaes privadas fossem facilmente tornadas pblicas. Resta entender como isso ocorre.
A exposio de si nos meios virtuais
O tipo de negcio que mais cresce no setor de tecnologia oferece servios voltados exposio de si: o Instagram, o Selfie (para fotos do prprio rosto apenas), o Snapshot (que permite que as fotos sejam visualizadas por um momento e depois as apaga), o Vine (para vdeos animados), o Pinterest, e o prprio Facebook. Durante o funeral de Nelson Mandela, o presidente dos EUA Barack Obama tirou um retrato de seu rosto com o celular junto com a primeira-ministra da Dinamarca Helle Thorning-Schmidt e o primeiro-ministro da Inglaterra David Cameron. Esse tipo de retrato, muito popular nas redes sociais, principalmente entre adolescentes, pareceu inusitado ao ser feito por chefes de estado, sobretudo na ocasio de um funeral. To inusitado quanto as fotos de carros roubados postadas por uma quadrilha do litoral paulista no Facebook, supostamente para competir com a quadrilha rival, e que facilitaram a ao da polcia em sua captura.9 Do presidente Obama aos bandidos, ningum parece estar imune s tentaes da exibio de si online.
Talvez seja mais preciso dizer que tornamo-nos presas de reaes contraditrias. Ao mesmo tempo em que h o claro temor pela perda da privacidade, e consequncias evidentemente negativas para quem a perde, a exposio de si nunca foi to grande quanto em tempos de Internet. Uma pesquisa conduzida por Acquisti e Gross (2006) com usurios de Facebook identificou exatamente essa contradio: os mesmos usurios que se diziam muito preocupados com sua privacidade e mencionavam prticas de proteo aos seus dados, tambm tendiam a revelar grande quantidade de informaes pessoais online.
Como explicar essa contradio? Muitas tentativas j foram feitas nesse sentido. Alguns autores afirmam que a exposio de si online ainda motivada pela busca por autenticidade.10 Desse modo, por trs do ato de falar de si prprio abertamente nas redes sociais, haveria o desejo do indivduo de ser considerado nico, especial em suas particularidades, em suma, um eco das demandas de autenticidade de 1968. Outros procuraro explicar essa exposio como um epifenmeno do narcisimo,11 j que a nfase posta no “aparecer”, mais do que o “comunicar”, levaria ao tipo de relaes instrumentais e superficiais tpicas do modelo narcsico. E ainda h aqueles que acreditam tratar-se do desejo de reconhecimento potencializado por uma nova ferramenta tcnica; em outras palavras, a publicizao dos feitos, desde os aspectos mais mundanos da existncia, seria fundamental para garantir a interao social, a conectividade e a possibilidade de ser reconhecido pelo outro.12 Essas explicaes, entretanto, deixam de contemplar elementos fundamentais do fenmeno.
Um dos aspectos evidentes da exibio de si online que h uma seleo minuciosa da informao a ser publicizada, no sentido de evidenciar smbolos compartilhados de beleza, sucesso e felicidade. Embora deslizes possam acontecer e nem sempre a apresentao do eu seja bem-sucedida, a seleo simblica do que se deseja exibir ser pautada no que se pensa ser mais favorvel a partir de um determinado repertrio social. Essa seleo no , entretanto, fcil: ela exige um gerenciamento habilidoso dos elementos a serem exibidos, o que, no raro, resulta em ansiedade. O insucesso em efetuar esse gerenciamento, por sua vez, a causa de muitos relacionamentos rompidos, empregos perdidos, etc.
Em entrevistas com estudantes da Universidade de Indiana, a pesquisadora Ilana Gershon (2011) descobriu que eles consideravam o Facebook uma ameaa a seus relacionamentos, por transform-los em pessoas ansiosas, ciumentas, controladoras e invejosas, caractersticas que no desejavam ostentar. Muitos passaram a ter problemas em suas relaes, pondo fim a namoros e amizades por conta dos sentimentos negativos adquiridos no decorrer das interaes virtuais. A pesquisadora concluiu que a ansiedade era resultado de uma presso sentida pelos jovens a desempenharem o que chamou de “self-neoliberal” nas redes sociais. O Facebook os encoraja a se apresentarem como um “conjunto flexvel” de habilidades, traos teis e gostos (de consumo) que precisam ser constantemente aprimorados” (p. 867), bem como a se engajarem em relaes do tipo “neoliberal”, conexes fracas e funcionais, a serem ampliadas constantemente e submetidas a um princpio de competio ativo a todo momento.
Uma de suas entrevistadas afirmou: “Voc tem de apresentar a foto perfeita no perfil, que deve ser atualizada pelo menos uma vez em poucos meses. Se voc no o fizer, voc um loser” (p. 877). Outra entrevistada deixava claro como se sentia competitiva em relao a uma garota de quem suspeitava estar paquerando seu namorado: “Eu tenho mais amigos do que ela no Facebook, mais amigos que ativamente escrevem na minha pgina e mais fotos do que ela, ento sou uma cyber-persona mais popular, embora, na verdade, eu seja uma eremita. Moro sozinha e tenho um cachorro. No saio, de fato, com essas pessoas. Mas parece que saio” (p. 878).
A origem da presso relatada pelos entrevistados de Gershon, ou melhor, a demanda sentida em desempenhar uma performance no perfil das redes sociais, no , como a autora concluiu, a prpria rede social. Para no nos distanciarmos do exemplo dos jovens, estes, na mesma pesquisa, relataram que potenciais empregadores checaram seus perfis no Facebook para saber quantos amigos tinham, como medida de seu potencial para constituir redes de contatos (p. 876). Nos Estados Unidos, uma garota que participava de uma sesso de apresentao de uma universidade para estudantes em fase de ingresso resolveu postar comentrios considerados desrespeitosos em seu perfil do Twitter sobre os colegas que estavam presentes no mesmo evento.13 O “post” custou-lhe a admisso negada pela faculdade.
Em uma tentativa de ajudar os estudantes de high school a evitarem o comprometimento de sua imagem online, consultores especializados agora os ajudam a gerenciar sua identidade digital para apagar rastros comprometedores. Na Brookline High School em Massachussets, por exemplo, os alunos so ensinados a apagarem posts ou fotografias que faam aluso a uso de lcool e a criarem endereos de e-mail com nomes aceitveis.
No universo do trabalho, a mesma demanda se repete. Uma pesquisa realizada pela empresa CareerBuilder descobriu que pelo menos 2 em cada 5 companhias procuram informaes online sobre seus candidatos para avaliar seu “carter e personalidade”. A mesma pesquisa mostrou que um tero dos empregadores disse que encontrou em sua busca algo que os fez no contratar algum candidato, como fotos provocativas, informaes inapropriadas ou evidncia de uso de lcool e outras drogas. Outras razes para a desistncia da contratao seriam a demonstrao de poucas habilidades comunicativas no perfil, a difamao de antigos empregadores, ou comentrios ofensivos relacionados a gnero, etnia ou religio.14
Contudo, os empregadores tambm disseram encontrar informaes que incentivaram a contratao, tais como a demonstrao de uma “personalidade interessante” no perfil da rede social. Em outros casos, o candidato criou uma boa imagem profissional ou apresentou evidncias de que as informaes de seu currculo eram verdadeiras. Houve ainda casos de postagem de boas referncias sobre os candidatos feitas por colegas ou a demonstrao de qualidades, tais como criatividade, boas conexes e habilidades comunicacionais.
A orientao da empresa que realizou a pesquisa e dos redatores da revista Forbes de que os candidatos no deixem de postar informaes nas redes sociais por medo da rejeio de potenciais empregadores, mas sim, que “trabalhem para criar boas redes e perfis online que representem positivamente suas habilidades e suas experincias profissionais. E acrescentam: “Candidatos silenciosos ou invisveis online esto em desvantagem. Eles precisam se engajar nas redes sociais para aumentarem sua visibilidade e sua procura para eventuais empregadores”.
A vida pessoal no capitalismo conexionista
Sabe-se que o desenvolvimento do capitalismo foi marcado, desde o incio, pela separao entre esfera domstica - constituda pela casa e a famlia - e profissional, ligada ao trabalho produtivo fora de casa. Com efeito, a vida pessoal do trabalhador, com suas emoes e qualidades pessoais, sua personalidade e subjetividade, deveriam ficar fora dos portes das fbricas, na medida em que seu mbito prprio de existncia seria junto famlia, protegido pelas quatro paredes do lar. Esta a prpria origem da noo de privacidade burguesa, depois estendida s outras classes e transformada no direito que conhecemos e tememos cada vez mais perder.
A separao entre vida privada e profissional, entre famlia e escritrio ou fbrica, entre opinies pessoais e competncias profissionais, era, portanto, clara at o chamado segundo esprito do capitalismo.15 apenas depois, com a prevalncia do mundo conexionista, que a distino entre vida privada e vida profissional tender a desvanecer-se, e iro se misturar, por um lado, as qualidades da pessoa e as propriedades de sua fora de trabalho (imbricadas na noo de competncia), e por outro, a posse pessoal, de si mesmo, e a propriedade social, referente organizao. Torna-se ento difcil distinguir a vida profissional da vida privada, entre jantares com amigos e jantares de negcios, entre relaes afetivas e teis.16
Desse modo, podemos voltar a nossa questo central: diante de tantas ameaas de vigilncia propiciadas pelas novas tecnologias, por que as pessoas permanecem se expondo nos ambientes virtuais (sabidamente, o mbito no qual a informao circula mais amplamente e com maior volume, e por isso, no qual encontram-se mais vulnerveis)?
Em primeiro lugar, vimos que h condicionantes poderosos que guiam essa atitude, sentida por muitos como uma presso para desempenhar uma performance. Essa presso no criada pelas prprias redes sociais ou pelas novas tecnologias, e sim, pelo prprio papel que a vida pessoal passa a desempenhar em tempos de capitalismo conexionista, para o qual a publicizao dos feitos, longe de ser apenas um exerccio frvolo das vaidades, torna-se prova fundamental de sucesso. Assim, no basta apenas “ser” bem-sucedido, preciso mostrar que se . E para isso, nada mais apropriado do que as vitrines oferecidas pelo espao virtual.
Diante desse quadro, o fenmeno da vigilncia adquire novas perspectivas. Se antes ela era exercida para identificar e neutralizar os inimigos do sistema, hoje, no preciso ser um militante contra o governo, um dissidente ou um traidor para ter os olhos dos observadores voltados em sua direo. Vivemos num cenrio no qual qualquer desvio de conduta, por mais nfimo que seja, penalizado instantaneamente, sem que pra isso seja preciso qualquer interveno de um poder maior. Do mesmo modo, “estar nos conformes” e ostentar os smbolos de sucesso, beleza e felicidade tambm so premiados com imediatismo mpar (vide as celebridades virtuais instantneas que fazem fortunas do dia para a noite). Assim, um comentrio mal colocado, uma foto embriagado, um gracejo mal-interpretado, ou uma opinio poltica controversa criam penas que so sentidas no nvel mais imediato da existncia. Perder um emprego, amigos, ou a reputao pode ser suficiente para arruinar uma vida. No preciso pensar em roteiros hollywoodianos de perseguies polticas para imaginarmos as consequncias desse estado de coisas. Proteger as informaes privadas ou ficar de fora do espao que nos faz mais desprotegidos , hoje, to difcil, no apenas por no desfrutarmos de protees legais e tcnicas suficientes para barrar a ao dos vigilantes. O preo da invisibilidade, como advertem os especialistas, ficar fora do mundo e no desfrutar dos prmios disponveis aos que bem aparecem. Dessa forma, o desafio posto resistncia vigilncia e preservao da privacidade muito maior do que os legalistas e os tcnicos fazem parecer. Se os antigos abrigos da invisibilidade j no nos protegem mais, para onde devemos correr?

Referncias Bibliogrficas

ACQUISTI, A. e GROSS, R. Imagined communities: Awareness, information sharing, and privacy on the Facebook. Privacy enhancing technologies, 36-58, (972), 2006.
ASSANGE, Julian. Cypherpunks: Freedom and the Future of the Internet. New York, London, OR Books, 2012.
BLATTERER, Harry. Social Networking, Privacy, and the Pursuit of Visibility. In: Modern Privacy: shifting boundaries, new forms. Editado por Blatterer, H; Johnson, P. e Markus, M.R. London,U.S, Palgrave macmillan, 2010.
BOLTANSKI, L. e CHIAPELLO, E. O Novo Esprito do Capitalismo. So Paulo, WMF Martins Fontes, 2009.
GERSHON, Ilana. Un-Friend My Heart: Facebook, Promiscuity, and Heartbreak in a Neoliberal Age. Anthropological Quarterly 84(4): 867-896, 2011.
TREPTE, S. e REINECKE, L. The Social Web as a Shelter for Privacy and Authentic Living. In: Privacy Online: Perspectives on Privacy and Self-Disclosure in the Social Web. Editado por Trepte, S. e Reinecke, L. Berlin, Heidelberg, Springer-Verlag, 2011.
ZARETSKY, Eli. Narcissism and the Emergence of the Network Society. In: Modern Privacy: shifting boundaries, new forms. Editado por Blatterer, H; Johnson, P. e Markus, M.R. London,U.S, Palgrave macmillan, 2010.






























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ilustrao:Rafael Moralez




1 WOOLF, Christopher. “The history of electronic surveillance, from Abraham Lincoln's wiretaps to Operation Shamrock”. PRI’s The World.07/11/2013.

2 KAYYALI, Nadia. The History of Surveillance and the Black Community. Electronic Frontier Foudation. 13/02/2014.

3 CURRY, Andrew. Piecing Together the Dark Legacy of East Germany's Secret Police. Revista Wired. 18/01/2008.

4 EUBANKS, Virgina. Want to Predict the Future of Surveillance? Ask Poor Communities. The American Prospect. 15/01/2014.

5 ADELMANN, Bob. NSA Surveillance Disclosures Recall Days of East German STASI. New American. 05/07/2013.

6 Idem.

7 ASSANGE, J. Cypherpunks, p. 21-2, traduo minha.

8 O que ser feito com todos esses dados coletados tambm resta como indagao. Enquanto o custo da coleta de um montante infindvel de informaes tornou-se extremamente baixo, o custo da inteligncia necessria para analisar e direcionar aes a partir dos dados nunca foi to alto. Computadores no podem discriminar e avaliar a importncia das informaes, tampouco do incio a processos e estratgias de ao. Tambm no sabem avaliar custos polticos e resolver problemas diplomticos. Logo, recursos humanos qualificados e dispendiosos so mais do que nunca necessrios para esse tipo de estratgia.

9 ALVES Jr., Gilmar.Apologia ao crime na web: um curto caminho para a priso. Dirio do Litoral. 25/11/2013.

10 Cf. TREPTE, S. e REINECKE, L. 2011.

11 Cf. ZARETSKY, Eli, 2010.

12 BLATTERER, Harry. 2010

13 Cf. SINGER, Natasha. They Loved Your G.P.A. Then They Saw Your Tweets. NYTimes. 9/112013.

14 Cf. SMITH, Jacquelyn. How Social Media Can Help (Or Hurt) You In Your Job Search. Forbes, 16/04/2013.

15 BOLTANSKI, L. e CHIAPELLO, E., 2009.

16 Idem, p. 193.