revista fevereiro - "política, teoria, cultura"

   POLÍTICATEORIACULTURA                                                                                                     ISSN 2236-2037

 

Maria Caramez CARLOTTO

Decifra-me ou devoro-te. O enigma de junho.

 

No existe dimenso da vida social que reserve mais armadilhas para a anlise do que a poltica. No porque ela seja uma esfera de completa indeterminao, reinado absoluto da imprevisibilidade e da surpresa. Pelo menos desde Marx, sabemos que as condies materiais condicionam a ao poltica, assim como, desde Freud, sabemos que o inconsciente desempenha um papel fundamental na definio dos padres de atuao nessa esfera. Mas se os homens no fazem a histria como querem, eles, ainda assim, fazem a histria, de modo que existe uma considervel margem de liberdade - logo, de indeterminao - quando homens se colocam em “movimento social”, passando a agir como sujeitos polticos.

Enquanto escrevo este texto, o pas prepara-se para uma greve geral, convocada pelas principais centrais sindicais do pas. Protestos continuam sendo organizados em diferentes cidades pelas mais diversas pautas. Quase ao mesmo tempo, o Partido dos Trabalhadores tenta vencer a inrcia da sua estratgia de governabilidade para garantir o avano do seu projeto de governo. Assim como o PT, praticamente todas as foras polticas nacionais, partidarizadas ou no, organizam-se para atravessar o forte turbilho que separa uma calada da outra. O devir do maremoto poltico que se iniciou em junho de 2013 segue, portanto, completamente indefinido.

Mas se a autonomia da poltica impossibilita a determinao de todos os efeitos da onda de protestos que abalou a calmaria poltica do pas, a anlise das suas causas pode nos ajudar a apreender, em parte, ao menos, o seu potencial. o que tem feito a maioria dos analistas que busca compreender, afinal, quem so e o que querem as massas que marcham pelas cidades brasileiras. o “enigma de junho” que se coloca, como uma esfinge, diante dos que tm a pretenso de compreender o tempo presente.

Foi exatamente com essa pergunta - “quem so e o que querem as massas que marcham?” - que abri meu texto “Nem Golpe, nem Revoluo: um protesto clssico por direitos sociais”, publicado em 19 de junho de 2013 no portal de notcias Vi o Mundo.1 Escrito no calor da hora, esse breve ensaio buscava refutar duas interpretaes que se espraiavam com velocidade na terceira semana de junho, momento em que os protestos se nacionalizavam e cresciam. Nesse sentido, eu divergia, por um lado, dos que insistiam no perigo do sequestro dos protestos pela direita e, por outro, dos que apostavam no potencial redentor da recusa de “tudo o que est errado”. Contra a tese do golpe e da revoluo, insisti que se tratava de um protesto clssico por direitos, cuja base poltica era no o povo brasileiro em geral, mas sim jovens majoritariamente de classe mdia,2ancorados em uma experincia urbana que, de modo contra intuitivo, no podia prescindir totalmente da mediao do Estado, portanto, da noo de direitos sociais. O transporte coletivo seria, ento, um dos ltimos elos que prendia a assim chamada classe mdia experincia da coisa pblica. O texto seguia argumentando que o grande ator poltico das manifestaes de junho seria o Movimento Passe Livre, que no apenas percebeu o potencial explosivo e politizador da pauta do transporte coletivo, como protagonizou um forte - e, em certo sentido, tradicional - trabalho de mobilizao de base capaz de levar milhares de pessoas s ruas por apenas R$ 0,20 centavos.3 Implcita nessa leitura estava a aposta de que a direita, com suas pautas abstratas e organizada quase que exclusivamente via redes sociais, no conseguiria o mesmo efeito mobilizador dos movimentos sociais de esquerda, como o MPL - aposta que, vale dizer, tem se mostrado, at o momento, correta.
Foram essas hipteses que, em grande medida, embasaram a entrevista que fiz com o Movimento Passe Livre, atravs de Lucas Oliveira e que est publicada neste mesmo nmero da Revista Fevereiro. Assim como elas, pretendo desenvolver no presente texto que pode ser lido, portanto, tanto como a continuao do ensaio “Nem golpe, nem revoluo”, quanto como um comentrio crtico entrevista publicada nesta edio.
Mas para alm da forte relao que mantm com essas outras intervenes, este texto guarda uma autonomia que se expressa em trs argumentos que pretendo defender em relao s chamadas “jornadas de junho”, para usar feliz expresso de Paulo Arantes. Primeiro, a importncia de abandonar, ainda que temporariamente, as denominaes abstratas como “protestos nacionais” ou “manifestaes brasileiras” que, por pressuporem uma homogeneidade nos recentes acontecimentos, perdem a oportunidade de compreend-los a fundo. Segundo, a necessidade de reconhecer a centralidade da questo urbana na configurao do momento brasileiro. Por fim, a relevncia das experincias de ensino e trabalho da assim chamada classe mdia, tradicional ou nova, e seus efeitos sobre a possibilidade da poltica. Os trs argumentos aparecem estruturados nas trs sees que se seguem.

Treze dias de luta e uma vitria da esquerda: as “jornadas de junho” em So Paulo

O antroplogo Claude Lvi-Strauss, no seu famoso ensaio “A cincia do concreto”, insiste que a capacidade de abstrao, tpica do pensamento ocidental moderno, nem sempre representa uma vantagem cognitiva. O poder de diferenciao, que os ndios adquirem desde criana por meio de um intenso processo de educao do olhar, pode representar, segundo Lvi-Strauss, uma forma ainda mais potente de conhecimento do mundo.

A humildade lvi-straussiana ao reconhecer os limites da abstrao conceitual moderna pode ser uma boa conselheira para os que pretendem analisar a exploso poltica que tomou conta do pas nas ltimas semanas. O conjunto de manifestaes que passou a ser nomeado, abstratamente, de “protestos nacionais” esconde, na verdade, uma enorme diversidade de causas, formas e sentidos. Assim como os povos indgenas, sem abrir mo de conceitos e abstraes, so capazes de reconhecer a infinidade de espcies que se ocultam, para ns, apenas sob o conceito de rvore, devemos procurar reconhecer as diversas realidades polticas que se dissolvem sob uma mesma denominao: “os protestos nacionais”. Diferenciar essas diferentes manifestaes um primeiro passo - fundamental - no caminho de compreend-las.
Mas existe uma outra razo - terica - para reconhecer a diversidade das manifestaes brasileiras. Ao se abandonar o pressuposto de que os protestos formam um todo homogneo, passa a ser prioridade compreender as condies de possibilidade da sua emergncia em cada contexto especfico. Isso implica priorizar a experincia social e poltica dos diversos atores que, em diferentes momentos e contextos, dispuseram-se a aderir desgastada prtica das “manifestaes de rua”, ou seja, buscar compreender que elementos da sua experincia possibilitaram a sua ao e em que sentido.

Para comear a pensar, possvel elencar trs as determinaes principais para os chamados “protestos nacionais”: o local em que ocorreram, o momento em que eclodiram e a pauta que mobilizavam.

Quanto ao local, preciso separar as grandes metrpoles nacionais, das cidades de mdio e pequeno porte. Dentro das metrpoles, os protestos que ocorreram no centro dos que eclodiram nas periferias.

Quanto pauta, nunca R$ 0,20 centavos valeram tanto para entender um momento poltico: entre a pauta da tarifa, com seu “tnue fio”4 que a separa da explosiva “questo urbana”, e as pautas nacionais que proliferam fragmentariamente Brasil afora existe um abismo bem maior do que uma rua.

Por fim, quanto ao momento, existe um antes e um depois de 13 de junho de 2013, quando as polcias militares, sob ordem dos governos estaduais, protagonizaram um trgico espetculo de represso poltica. Assim como existe um antes e um depois de 19 de junho de 2013, quando So Paulo e Rio de Janeiro - e, na esteira delas, dezenas de cidades pelo pas - reduziram as passagens de nibus e metr, decretando uma vitria quase indita da esquerda organizada. Do mesmo modo, a entrada em cena, de forma ativa, do Partido dos Trabalhadores, com a respectiva mobilizao dos movimentos e grupos que sustentam seu projeto de governo, marca, tambm, um novo momento nesse ascenso poltico.

Reconhecer a importncia dessas determinaes e de seus efeitos sobre a composio e a experincia social das massas que, em diferentes momentos e locais, e seguindo objetivos diversos, tomaram as ruas do pas , de novo, um passo fundamental para a compreenso do potencial poltico - diverso - dessas muitas “jornadas de junho”.
Assumindo, portanto, o imperativo da diferenciao como uma precauo quase metodolgica, no me proponho a tratar, aqui, “dos protestos brasileiros”. Me limito, na verdade, a analisar o movimento que aconteceu na cidade de So Paulo, entre os dias 06 e 19 de junho de 2013, tendo como pauta a reduo das tarifas de metr e nibus urbanos.

Essa aparente (de)limitao esconde, no entanto, uma potencialidade cognitiva: o que aconteceu nos treze dias de luta que levaram reduo das tarifas de nibus em So Paulo pode ser lido, tambm, como uma das mais importantes vitrias da esquerda brasileira. Isso se considerarmos que So Paulo, nada menos do que a maior cidade do pas, a maior metrpole da Amrica Latina e uma das mais importantes megalpoles do mundo, tornou-se uma das expresses mais bem acabadas - e portanto, mais cruis - da lgica contempornea de desenvolvimento capitalista que, reestruturada em “cidades globais”, impe uma nova forma de organizao da sociedade. Dessa perspectiva, no por acaso que So Paulo permaneceu como um dos centros irradiadores do pensamento conservador, com setores importantes resistindo ao projeto nacional que se articulou, em mbito federal, a partir de 2003. Mas se a hesitao do Estado de So Paulo em aderir a um projeto nacional assumiu, por vezes, um carter reacionrio e elitista5 -, a tentativa de resistncia de setores da cidade de So Paulo em submeter-se ao projeto de desenvolvimento em marcha no pas pode assumir novos significados.

Do nacional ao local: a esquerda e a disputa pelo projeto de cidade

Um das primeiras revolues socialistas da histria aconteceu, como sabemos, nos limites de uma cidade e mantendo, como um dos seus eixos, a reivindicao de participao popular na constituio do poder local. A Revoluo de 1848 foi uma revolta urbana que inaugurou a onda de revolues que varreu a Europa nos sculos XIX e XX.6Mas o fortalecimento dos Estados Nacionais se fez sentir, tambm, sobre o movimento socialista. Na verdade, de l pra c, toda a esquerda, em suas diferentes matizes, e acompanhada pelas demais foras polticas, organizou-se majoritariamente em torno de projetos nacionais.

Se isso verdade para quase todos os pases do mundo, o ainda mais para o Brasil, que vive, desde o perodo colonial, sob a gide do poder central e centralizador. A fora dessa estruturao poltica to consistente que orientou completamente a interpretao das “jornadas de junho”. To logo o fenmeno ganhou relevncia poltica, tornou-se uma “questo nacional” e to logo se tornou uma “questo nacional”, ganhou relevncia poltica. E nesse movimento centrpeto a “dimenso urbana” subjacente aos protestos ficou esquecida sob a espada afiada do Leviat.
No obstante essa tendncia histrica, a disputa em torno do projeto de cidade esteve no cerne do movimento poltico que se organizou em So Paulo a partir do aumento das passagens do transporte urbano. Essa dimenso est bastante explcita na entrevista de Lucas Oliveira, do MPL. Segundo ele:

  Est em pauta, agora, o modelo de cidade que queremos. O MPL tem um modelo claro: uma cidade em que as pessoas possam circular livremente, uma cidade em que as pessoas participem das decises polticas, uma cidade voltada para os seus trabalhadores. esse o nosso modelo e ele que estamos pautando nas nossas organizaes. E recentemente, com a inteno do Brasil abrigar “mega eventos”, a poltica de reordenamento urbano proposta para as cidades vai no sentido frontalmente contrrio esse modelo ideal. Ento, fundamental disputar isso politicamente, e politicamente que se disputa, e o que estamos fazendo.

 

Mas importante reconhecer que os diversos movimentos em que a questo urbana assume uma dimenso central - expressa ou no no transporte coletivo - no comearam em 2013 e no se limitam a So Paulo. Desde 2003, vrias cidades importantes do pas vivem levantes populares associados ao aumento da tarifa dos transportes pblicos. Desde 2005, o Movimento Passe Livre tornou-se expresso organizada desses levantes. Mas para compreender melhor a importncia dessas “revoltas da tarifa”, preciso operar dois recuos.

Primeiro, para lembrar que o processo brasileiro de urbanizao foi um dos mais intensos e acelerados do mundo, produzindo cidades marcadas por problemas e conflitos, estruturais sendo que um dos seus cernes a questo da mobilidade urbana. Em 2010, segundo o IBGE, 84% dos brasileiros viviam em cidades. No mesmo ano, as dez maiores cidades do pas reuniam, sozinhas, quase 20% da populao nacional, assim como os dois maiores municpios do pas - So Paulo e Rio - concentravam, juntos, quase 10% da populao nacional, sem contar as suas regies metropolitanas. Os dados tornam desnecessrio afirmar, portanto, a centralidade da questo urbana no Brasil e, com ela, o desafio da mobilidade.
  isso que explica a centralidade assumida pela questo dos transportes nas “jornadas de junho”. Segundo o Datafolha, o ndice de aprovao das manifestaes em 18 de junho de 2013 chegou a 77% na cidade de So Paulo, sendo que 67% dos entrevistados associaram, espontaneamente, a causa dos protestos ao “aumento das passagens municipais”. A centralidade da questo dos transportes foi confirmada, tambm, pela pesquisa do IBOPE realizada com o conjunto da populao brasileira: para 59% dos entrevistados pelo Instituto em todo o Brasil, a causa dos protestos foi o aumento das passagens, contra um tero que apontam outras pautas como corrupo, sade e educao.

O segundo recuo para dizer que, mesmo com toda a importncia das cidades para a vida nacional, a poltica urbana permaneceu em segundo plano no pas, inclusive no perodo ps-redemocratizao. A tentativa de articular uma poltica urbana em nvel nacional, a partir da criao do Ministrio das Cidades em 1 de janeiro de 2003, esbarrou na crise poltica de 2005, quando o Ministrio precisou ser negociado e sua importncia esmoreceu. Para salvar o seu projeto nacional, a esquerda rifou o seu projeto urbano. Projeto este que, com a valorizao da disputa pelos planos diretores e as iniciativas ousadas de oramento participativo, haviam ocupado, h pouco tempo, um lugar privilegiado na sua agenda poltica.

No lugar de um projeto urbano estruturado e democraticamente elaborado, emergiu uma poltica de “mega eventos” que deveria viabilizar, quase que sozinha, todo o investimento em infraestrutura urbana. Mas a temporalidade necessria viabilizao desses eventos, os atores globais neles envolvidos e as prioridades urbanas por eles promovidas acabaram por solapar toda e qualquer forma de participao popular. Como afirmou de modo cristalino o secretrio-geral da FIFA recentemente, a democracia brasileira atrapalha a organizao da Copa do Mundo no pas.7 a estruturao do poder global, com suas elites internacionalizadas, que busca escapar a qualquer forma de controle democrtico, incidindo de modo particularmente determinante sobre as cidades, que reagem com reivindicaes - s vezes dispersas - por mais participao na definio dos seus rumos.

Todo esse processo no foi sem consequncias. Enquanto o planejamento democrtico das cidades deixava de ser prioridade no mbito federal - para no mencionar o total descaso no nvel estadual -, intensificava-se a crise urbana no pas, resultando em movimentos que, permanecendo margem da vida partidria, mantinham-se tambm alm da influncia do PT, embora no necessariamente em oposio direta a ele, como querem alguns.

Esses movimentos sociais - que surgiram como resultado da crise urbana e trabalhando para a sua formulao em termos polticos - colocaram a disputa pelo projeto de cidade, logo, de sociedade, no centro da sua agenda poltica: coletivos de cultura livre, sarais de periferia, movimento de ciclistas, movimentos hip hop, grupos de ecologia urbana, associaes de mes de jovens mortos pela polcia, movimento pelo passe livre, movimentos de defesa e articulao de projeto urbanstico de bairro como o centro, o baixo Augusta, a Luz, s para citar alguns exemplos bastante conhecidos em So Paulo. Foi esse o caldo poltico e cultural que forneceu os “laos fortes”8 capazes de mobilizar, para alm das redes, um enorme contingente de cidados, tambm no sentido original da palavra.

justamente nesse contexto que surge o Movimento Passe Livre, expresso incontestvel desse momento poltico. Criado no perodo ps-Lula, o MPL resulta da unio, outrora improvvel, de setores do PT que no viam respaldo, no interior do partido, para a articulao radical em torno das questes urbanas e de juventude com grupos autonomistas que viviam o refluxo do seu principal movimento, o movimento altermundista ou antiglobalizao. O encontro de uma juventude partidria com a juventude autonomista, ambas com uma extensa formao poltica, conferiu ao MPL uma forma de nica: os princpios organizativos do autonomismo - a horizontalidade, o apartidarismo, a autonomia, a independncia e, principalmente, a valorizao da democracia direta - associaram-se valorizao de uma estratgia institucional consequente e do trabalho de base nos bairros e periferias das grandes cidades, que constitui uma das marcas polticas do PT. Mas o importante que essas duas tradies, que caminhavam separadas, uniram-se em funo de uma disputa clara pela valorizao - radical - do transporte coletivo que permitia questionar todo o projeto urbano implcito na poltica de transporte.

Todo esse processo poltico terminou por produzir efeitos, tambm, no plano partidrio e eleitoral, e eles se fizeram sentir com fora em 2012, quando So Paulo e Rio de Janeiro - de novo, para ficar apenas nas duas maiores cidades do pas -, viveram eleies municipais fortemente politizadas e politizadoras. Em ambas as capitais, duas candidaturas de esquerda - Marcelo Freixo (PSOL), no Rio e Fernando Haddad (PT), em So Paulo -, a despeito do que as diferenciavam, desempenharam um papel estruturalmente semelhante ao se oporem a governos de situao levando para o centro do debate a discusso de um novo projeto de cidade. No por acaso, portanto, as duas campanhas foram marcadas pela forte presena de setores organizados da sociedade civil e de manifestaes de rua relativamente importantes - os comcios de Freixo no Rio e os festivais como o "Existe amor em SP" em So Paulo. Era o caldo cultural da poltica urbana que seguia fermentando.
importante frisar que, nos dois casos - embora mais em So Paulo do que no Rio -, a disputa pela cidade produziu alinhamentos polticos inesperados. No que as diferenas de classe deixaram de marcar a disputa pelo poder municipal.9 Ao contrrio: o resultado das ltimas eleies municipais em So Paulo mostram claramente que as classes sociais ainda estruturam radicalmente o contexto poltico urbano.
Nesse sentido, para tomar apenas o exemplo de So Paulo, na regio da Avenida Paulista, uma das regies mais nobres da cidade e exatamente onde ocorreram as agresses ditas “protofascistas”, quando militantes de esquerda foram fisicamente agredidos, o candidato Jos Serra (PSDB) alcanou ndices de votao impressionantes: 70,5% na seo eleitoral do Colgio So Lus, 81,62% na seo do Colgio Dante Alighieri e 83,4% na seo do Clube Atltico Paulistano. A votao de Fernando Haddad (PT), por sua vez, atingiu nveis ainda mais altos nas regies perifricas da cidade: 94,09% em Vargem Grande (extremo sul), 84,79% em Jardim Monte Belo (extremo norte), 84,53% em Vila So Francisco (extremo leste) e 73,03% (no extremo leste).
No entanto, apesar do carter estruturado da poltica no interior da cidade, importante reconhecer que a experincia urbana, sobretudo de megalpoles como So Paulo, parece abrir espao para arranjos polticos inusitados. Arranjos estes que levaram o Partido dos Trabalhadores de volta prefeitura da maior cidade do pas justamente com os votos da dita “classe mdia urbana”. Prova eleitoral disso que Fernando Haddad conseguiu uma votao proporcionalmente maior no centro expandido (reduto tradicional do PSDB) do que Serra conseguiu nas periferias da cidade (reduto histrico do PT), votao que o levou ao segundo turno e depois, prefeitura de So Paulo.
A proposio de um novo projeto de cidade talvez tenha representado uma tentativa do PT de disputar o eleitorado de classe mdia, atravs da “politizao do cotidiano”, como disse Carlos H. Pissardo.10
Indo por esse caminho, possvel dizer que a radicalidade do Movimento Passe Livre reside no somente em sua forma horizontal e autnoma de organizao e no modo estratgico como disputa sua reivindicao, mas na maneira como coloca o projeto de cidade do centro nevrlgico da sua atuao. Em outras palavras, o MPL desafia a esquerda tradicional no apenas pela sua organizao, ancorada na participao direta, mas tambm pelo seu contedo: sobre a pauta urbana que se volta e no mbito das cidades que pretende atuar. No por acaso, portanto, a coordenao nacional do movimento, embora exista, pouco estruturada e suas decises devem ser submetidas aos movimentos locais, sediados em diferentes cidades.11
E, pelo menos at o momento, a pauta urbana tem se mostrado uma causa poderosa para a mobilizao poltica. Neste sentido, depois da vitria da reduo das tarifas, tanto a esquerda quanto a direita que disputam a conduo do projeto nacional tm encontrado bastante dificuldade para articular um movimento de massas que apresente a mesma expressividade das “jornadas de junho”. Nos locais em que os movimentos de massa perduraram, a pauta urbana esteve, de novo, no centro da agenda como, por exemplo, nas cidades que foram palco de protestos, durante a Copa das Confederaes, contra o projeto de cidade implcito nos j mencionados “mega eventos”. O elo perdido entre o que aconteceu em So Paulo e em outras cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador pode estar, justamente, na centralidade da questo urbana e na vontade de participao que transborda do contexto poltico local para as instituies democrticas em mbito nacional.

Cidade e experincia: a classe mdia vai ao trabalho e, depois, escola

Uma das hipteses que se consolidou nas ltimas semanas a de que a base social dos protestos de junho pelo Brasil composta por jovens de classe mdia, seja esta uma classe mdia “tradicional” ou a assim chamada “nova classe medida”. Essa percepo facilmente confirmada pelos dados que foram produzidos pelos principais institutos de pesquisa do pas. Mas os dados mostram algo mais: alm de jovens oriundos de famlia com renda mdia, os manifestantes de junho so, tambm, trabalhadores e estudantes (concomitantemente).
Neste sentido, segundo o Datafolha, das 65 mil pessoas que se reuniram no Largo da Batata em So Paulo na segunda-feira, dia 17 de junho, 77% tinham ensino superior completo ou incompleto, 51% ainda estavam na faculdade e 76% eram trabalhadores assalariados, registrados ou no. Olhando para as escolas de origem, 13% eram alunos da USP, 8%, da PUC ou Mackenzie e 30%, estudantes de outras universidades e faculdades, a maioria absoluta delas, privadas.12 Foi o que levou Marcelo Ridente, ao analisar o perfil dos manifestantes, a afirmar que “se trata de uma juventude, sobretudo das camadas mdias, beneficiadas por mudanas nos nveis de escolaridade”. 13
Esses dados no surpreendem se considerarmos que tanto a expanso do ensino superior privado quanto a estreita relao entre trabalho e estudo j eram processos amplamente conhecidos pela literatura.
Em artigo publicado em 2011, os socilogos Alvaro Comin e Alexandre Barbosa j destacavam a importncia, no Brasil, da figura dos “trabalhadores-estudantes”, ou seja, indivduos que, j inseridos no mercado de trabalho, retornam ao ensino superior em busca de mais qualificao. Esse fenmeno estaria fortemente ligado expanso do ensino superior privado.14 Como sabemos, desde a dcada de 1960, o ensino superior brasileiro cresce a taxas aceleradas sobretudo no sistema privado. Segundo Helena Sampaio, “entre 1960 e 1980, o nmero de matrculas no ensino superior passou de 200 mil para 1,4 milho, em um crescimento de quase 500%; no setor privado, o crescimento foi de mais de 800%”.15 Como consequncia desse processo, o sistema privado correspondia, j em 1980, a quase 63% das matrculas de ensino superior do pas. Mas foi a partir das dcadas de 1990 e 2000, que a expanso do sistema privado se deu de modo mais acentuado, chegando, em 2011, a responder por 72,8% das matrculas presenciais de ensino superior, o que corresponde a mais de 3 milhes de vagas.
Na cidade de So Paulo, no entanto, a presena do sistema privado ainda maior, respondendo por aproximadamente 92% das matrculas de ensino superior, o que certamente se refletiu na presena de estudantes de universidades e faculdades privadas nos protestos ocorridos na cidade.
Mas se a presena desses estudantes de faculdades privadas um fenmeno que merece enorme ateno, ele no deve ofuscar o fato de que as universidades tradicionais de pesquisa da cidade - ou seja, USP, PUC e Mackenzie - ainda estavam proporcionalmente mais representadas nas jornadas de junho do que as faculdades privadas. Nesse sentido, a USP, a PUC e o Mackenzie representavam mais de 41% dos estudantes universitrios presentes na passeata de 17 de junho de 2013, auge da mobilizao em So Paulo, sendo que elas, sabidamente, no detm 41% das vagas de ensino superior na cidade. Considerando s a USP, vemos que ela respondeu, sozinha, por 25% do total de manifestantes que compareceu ao Largo da Batata em 17 de junho, ao passo que o sistema pblico, que inclui a USP mas no se limita a ela, responde por apenas 8% das matrculas em ensino superior na capital paulista. Alm disso, do ponto de vista qualitativo, preciso reconhecer que foi particularmente da USP que saram os militantes mais ativos do movimento pela revogao do aumento da tarifa.
A explicao para o predomnio poltico das universidades de pesquisa, particularmente das universidades pblicas, nas jornadas de junho em So Paulo talvez se ancore, como sugere Carlos H. Pissardo, na insatisfao da classe mdia tradicional - definida no segundo sua renda, mas ocupao - diante do projeto poltico liderado pelo PT que no a beneficia. Sem desprezar essa dimenso, quero enfatizar outra, em geral, esquecida: a dimenso da experincia, particularmente da experincia de classe.
Para comear, tomemos a experincia universitria que, como sabemos, difere radicalmente no interior das diferentes instituies de ensino superior pas afora e, consequentemente, segundo as diferentes classes sociais que, no Brasil como em outros pases do mundo, no frequentam as mesmas instituies de ensino.
Se as polticas de expanso e incluso resultaram tanto na duplicao do nmero de vagas de ensino superior ao longo dos ltimos dez anos quanto no ingresso de novas camadas sociais neste nvel de ensino, prevalece, ainda hoje, uma considervel hierarquizao das carreiras e instituies, como o comprova o recente debate em torno da aprovao de cotas nas universidades estaduais paulistas, vrtice do sistema nacional de ensino e pesquisa.
Embora as instituies pblicas de ensino superior sejam mais democrticas do que em geral se supe, elas ainda se caracterizam por receber estudantes oriundos da “classe mdia tradicional”, ou seja, filhos de profissionais liberais, gerentes, servidores pblicos e pequenos e mdios proprietrios. E justamente nessas instituies, bem como nas universidades privadas tradicionais como a PUC e o Mackenzie, que subsistem espaos e redes de formao cultural e poltica. Nesse sentido, embora o movimento estudantil venha sendo sistematicamente perseguido e estigmatizado nas diversas instituies de ensino superior do pas - e de modo paradigmtico na USP -, ele ainda constitui espao importante de politizao e formao no interior das universidades de pesquisa. Mas essa possibilidade de formao no se abre de modo igualitrio para todas as classes sociais.


Como sabemos, a presena de movimentos estudantis nas faculdades e universidades privadas de ensino superior , ainda, bastante modesta. E no apenas pela forma institucional dessas escolas mas, sobretudo, pela dupla jornada a que esto submetidos esses universitrios e que condiciona, de modo marcante, a sua experincia social. Sem entrar a fundo nessa dimenso - que certamente merece anlise mais detida - vale lembrar a famosa considerao de Mrcio Pochmann sobre o cotidiano dos estudantes jovens das grandes cidades brasileira.16 Segundo Pochmann, eles submetem-se a uma jornada de trabalho e estudo maior do que a dos operrio do sculo XIX, chegando, em mdia, a 16 horas dirias - 8 de trabalho, 4 de estudo e outras 4 de deslocamento. Talvez seja essa, portanto, a experincia material essencial da dita “nova classe mdia”. Mais do que o consumo, o estudo e sobretudo o trabalho que define a sua experincia social.
Porm, sobre a experincia concreta de ensino e trabalho desses segmentos, pouco sabemos. Enquanto interesses econmicos determinam um estudo detalhado dos nveis de renda, potencial de gasto e padres de consumo das classes ascendentes, pouca pesquisa vem sendo feita sobre as suas condies materiais de vida - que incluem as condies de trabalho e a experincia educacional.
E foi em grande medida essa massa que tomou as ruas quando os protestos se ampliaram. No por acaso, ainda segundo o Datafolha, 71% dos manifestantes do dia 17 de junho em So Paulo participavam de protestos pela primeira vez e 81% se informavam das manifestaes via Facebook. No se tratava, portanto, de setores de direita, mais ou menos organizados, mas sim de uma classe trabalhadora urbana, com pouco tempo livre inclusive (ou sobretudo?) para a sua formao poltica. A mobilizao de smbolos nacionais como o hino nacional, a bandeira do Brasil e o verde e amarelismo, assim como o recurso a slogans publicitrios do tipo “O gigante acordou” e “Vem pra rua vem”, talvez se ancore mais na facilidade de uma identificao imediata de quem no tem outros referenciais polticos do que em uma cultura de direita subterrnea que eclodiu no outono brasileiro.
Neste sentido, mesmo considerando que o perfil dos manifestantes possa ter se alterado entre a segunda (17 de junho de 2013) e a quinta-feira (20 de junho de 2013), seja em funo da conquista da pauta principal de reduo da tarifa seja por conta da tentativa de organizao da direita, os dados coletados pelo Datafolha no protesto de quinta-feira no sugerem que a nova base social das manifestaes tenha se tornado tipicamente de direita.17 Ao contrrio, segundo o instituto, “os manifestantes que estiveram na Paulista esto mais esquerda, politicamente, do que os paulistanos, de forma geral”. Ao classificar os entrevistados segundo um espectro que vai de extremo-liberal a extremo-conservador, a pesquisa considerou que a maioria dos manifestantes era liberal (29%) ou extremo-liberal (32%) enquanto 20% podiam ser considerados conservadores e apenas 2%, extremo-conversadores.

Por mais que seja preciso tomar com cuidado esses dados, tanto por causa das condies de realizao da pesquisa quanto pelo modo de construo das categorias, possvel mobili-la para fortalecer a hiptese de que a base social dos protestos, mesmo dos que continuaram ocorrendo aps a reduo das tarifas, no formada por militantes de direita, muito menos “protofascistas”, ainda que a lgica poltica de diferenciao dos manifestantes flertou com o totalitarismo de direita, como bem apontou Silvia Viana na sua anlise da “guerra dos panos”.18
Mas se a massa que marchou sobre a maior cidade do pas no pode ser considerada tipicamente de direita, inegvel que a direita esteve presente nas ruas. E a emergncia das foras conservadoras organizadas certamente imps uma nova agenda poltica, como o prprio Movimento Passe Livre percebeu.19 A traduo da disputa pela priorizao do transporte pblico e pela redefinio dos projetos de cidade em um descontentamento geral com o governo federal, os partidos polticos e os demais poderes da repblica lanou toda a esquerda em um novo desafio. Passou a ser central atuar tanto no sentido da defesa da ordem democrtica e de suas instituies quando na disputa pela viabilizao da eterna pauta da reforma poltica, evitando qualquer forma de retrocesso. “Proibido virar direita”, dizia um cartaz bem-humorado no ltimo dia 20 de junho em So Paulo. Mas ser possvel, ainda, seguir em frente ou, em um lance mais ousado, virar ainda mais esquerda?
Se alm de preservar o estado atual de coisas, a esquerda brasileira quiser fazer avanar ainda mais o seu projeto poltico, talvez seja o caso de olhar para as dimenses que marcaram as jornadas de junho em So Paulo: o potencial de formas democrticas e horizontais de organizao poltica, associadas a estratgias claras de luta e trabalho de base; a centralidade da questo urbana, sempre relegada a segundo plano; e, por fim, a importncia, ainda viva, das experincias de estudo e trabalho da classe trabalhadora que se insiste em chamar de “mdia”. Talvez resida nesses aspectos parte da chave do nosso enigma, o enigma de junho.

Fotos: Vernica MANEVY




























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ilustrao:Rafael Moralez



1O texto “Nem golpe, nem revoluo: um protesto clssico por direitos sociais” est disponvel, na ntegra, em: <http://www.viomundo.com.br/politica/maria-carlotto.html>.

2Sobre o conceito de “classe mdia”, ver a interessante anlise de Carlos Henrique Pissardo intitulada “A politizao do cotidiano, a classe mdia e a esquerda” publicada no portal Carta Maior < http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=6196>

3Um relato muito rico sobre esse trabalho poltico pode ser encontrado na entrevista feita pela Revista Fevereiro com o MPL, na figura de Lucas Oliveira e disposta nesta mesma seo.

4Essa expresso e a ideia a ela associada tomei emprestada de Paulo Arantes em entrevista ao Estado de S. Paulo. Disponvel em <http://www.estadao.com.br/especiais/alias/>

5Isso ocorreu de modo paradigmtico em 1932, movimento que, hoje, retomado como exemplo por instituies importantes do Estado. Recentemente, o reitor da USP, Joo Grandino Rodas, publicou um ofcio em que defendia a “abertura” de uma discusso sobre a democratizao das eleies para reitor. O documento termina reivindicando a Revoluo Constitucionalista: “No por acaso que este ofcio date de 9 de julho. A origem da USP de certa forma retroage saga de 1932: os paulistas, aps o desfecho no plano blico, imaginaram que deveriam vencer pela educao, pela cincia e pela cultura: Scientia Vinces!”. O texto integral est disponvel em: < http://democracia.usp.br/?page_id=2>

6Esse texto foi escrito antes da publicao mensal da Revista Piau que traz, na sua seo “Tribuna da luta de classes”, um texto de David Harvey chamado “Direito cidade” em que o autor mobiliza o mesmo exemplo. Para mais detalhes: <http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-82/tribuna-livre-da-luta-de-classes/o-direito-a-cidade>

7Para mais detalhes, ver artigo de Caio Martins Ferreira “O povo nos acordou? A perplexidade da esquerda frente s revoltas” <http://passapalavra.info/2013/06/79837>

8Pesquisa disponvel em: <http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2013/06/1297619-cresce-apoio-a-protestos-contra-a-tarifa-de-onibus-entre-paulistanos.shtml>.

9Disponvel em: <http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/75-dos-brasileiros-sao-favoraveis-asanifestaco-publicas.aspx>.

10 O secretrio-geral da FIFA, Jrme Valcke, afirmou em abril deste ano que “menos democracia s vezes melhor para se organizar uma Copa do Mundo”, ao se referir sobre a organizao da prxima Copa do Mundo na Rssia. Ver: <http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/04/24/excesso-de-democracia-no-brasil-afeta-organizacao-da-copa-diz-valcke.htm>

11 Arantes, em texto publicado no blog da Boitempo, enfatiza a importncia da sociabilidade e do que ele chama de “laos fortes” para a atuao poltica radicalizada. Essa dimenso, essencial a meu ver, confirmada pela entrevista que fiz com Lucas Oliveira publicada nesta mesma seo. O texto de Paulo Arantes est disponvel em: <http://blogdaboitempo.com.br/category/colaboracoes-especiais/paulo-arantes/>

12 Ver os mapas eleitorais disponveis em: <http://oglobo.globo.com/infograficos/eleicoes2012-2turno-sp-locais/> para as eleies de So Paulo. E <http://oglobo.globo.com/infograficos/eleicoes2012-1turno-zonas/rio_de_janeiro.asp>, para as eleies no Rio. Embora a relao entre voto e renda seja explcita nos dois casos, a oposio ao governo de situao teve uma votao oposta nos dois casos. Enquanto em So Paulo as periferias da cidade votaram, como tradicionalmente, no candidato do PT que representava a oposio ao governo de Gilberto Kassab (PSD), no Rio, as periferias ficaram com a situao, representada por Eduardo Paes (PMDB).

13 Ver o texto “Politizao do cotidiano, a classe mdia e a esquerda” publicado em <http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=6196>.

14 Para mais detalhes sobre a organizao do MPL ver entrevista publicada nesta seo.

16 Marcelo Ridente publicou um texto na Folha de S. Paulo intitulado “Que juventude essa?” em que aborda justamente essa dimenso da experincia universitria. O texto integral est disponvel em: <http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/06/1299690-marcelo-ridenti-que-juventude-e-essa.shtml>.

17 Ver Artigo de Alvaro Comin e Alexandre Barbosa intitulado “Trabalhar para estudar: sobre a pertinncia da noo de transio escola-trabalho no Brasil”, publicado na Revista Novos Estudos CEBRAP n. 91 em 2011 e disponvel em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002011000300004&lang=pt>

18 Ver artigo de Helena Sampaio intitulado “O setor privado de ensino superior no Brasil: continuidades e transformaes” publicado na Revista de Ensino Superior em novembro de 2011 e disponvel em <http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/artigos/o-setor-privado-de-ensino-superior-no-brasil-continuidades-e-transformacoes>.

21 Ver excelente anlise de Silvia Viana sobre a lgica de diferenciao poltica que predominou nos protestos de rua em junho: <http://blogdaboitempo.com.br/2013/06/24/a-guerra-dos-panos/>

22 Ver a nota n. 11 publicada em 21/06/2013 e disponvel em: <http://saopaulo.mpl.org.br/>